quarta-feira, 20 de julho de 2011

Quase, quase...

A rotina diária de ir para o trabalho pode até não cansar.
Contudo, quando estamos a apenas alguns dias de ir de férias, cada hora que não passa consegue tornar-se bastante dolorosa...
Na verdade, é quase tão dolorosa como a visão da nossa secretária cheia de papeis e OS e-mails que o outlook teima em entregar a todas as horas.
Provavelmente, é psicológico, mas não estou certo que não tenhamos mais trabalho quando estamos a tentar descansar do mesmo...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um dia de trabalho!

Um dia de trabalho é sempre um dia de trabalho.

Pode haver bons dias de trabalho, assim como dias de trabalho que não são tão bons, mas, ao fim do dia, seja lá isso quando for, acabam por ser todos dias de trabalho!

Os dias de trabalho são importantes! Além de serem os dias que nos permitem obter os meios necessários à subsistência, também são os dias que nos ensinam a conseguir aproveitar os dias de descanso.

De facto, aqueles que não tem dias de trabalho, tendo, portanto, uma vida preenchida de dias de descanso, acabam por não lhes dar o devido valor.

Afinal de contas, todos os dias são de descanso, pelo que o descanso se torna entediante.

Já quando os dias de trabalho são muitos, e o trabalho nos dias de trabalho ainda mais, acabamos por conseguir aproveitar mais eficientemente os nossos dias de descanso.

Às vezes, nem sequer podemos falar de dias de descanso, mas em tempos de descanso, sejam eles dias, horas, minutos ou segundos, mas a verdade é que os aproveitamos e, quanto mais longo o dia de trabalho for, melhor nos saberá aquele momento de descanso.

Seja ele uma hora de almoço, cinco minutos para um cigarro, ou dez segundos para mandar uma mensagem a alguém a dizer que a amamos.

Os dias de trabalho não são maus dias.

São dias que nos ensinam a ver que o tempo é relativo!

14 de Fevereiro

Apesar de ser também o "Dia Europeu da Disfunção Eréctil", provavelmente ideia de um grupo de encalhados crónicos sem perspectivas de alterar esse status, o dia 14 de Fevereiro é aquele dia em que toda a gente que tem a sorte da companhia de uma cara-metade se lembra disso.

Não sei se gosto!

Não que tenha algo contra lembrar-mo-nos do quão sortudos somos, mas porque devia ser, não uma lembrança, mas um pensamento constante.

Não devíamos fazer algo especial só porque toda a gente o está a fazer, mas devemos fazer algo especial todos os dias.

Afinal de contas, todos os dias estamos com esse alguém especial.

Por isso, todos os dias, esse alguém especial merece algo que o faça sentir assim: especial.

Todos os dias se deve levar o pequeno-almoço à cama, todos os dias são dias de receber mimos, todos os dias são dia de nos fazer, e fazer, sentir especiais!

O dia dos namorados é todos os dias e isso é que custa, mas também é isso que nos faz sentir especiais!

Feliz 15 de Fevereiro, Dia dos Namorados!

:x

domingo, 16 de janeiro de 2011

Meia-Idade

Num pachorrento domingo, à tarde, enquanto procuro ideias para festejar um aniversário que se aproxima, facilmente me apercebo do “porquê” da existência de crises de meia-idade.
E, nas minhas buscas, apercebo-me que as mesmas mais não são que a inexistência de produtos indicados para estas pessoas.
Passarei a explicar.
Uma pessoa que esteja a pensar festejar o facto de ter nascido, quer a mesma vá fazer 26, 37 ou cinquenta anos, de forma minimamente original está, bem, extremamente lixada.
Uma pessoa que queira assinalar a data de forma original, como o resto dos comuns mortais, acaba por começar sempre no mesmo ponto de partida: o Google!
Ora, é aí que a porca torce o rabo. Fazendo uma pequena pesquisa no Google por “festas de aniversário”, inevitavelmente aparecem milhares de resultados que parecem indicados à satisfação das nossas necessidades.
Contudo, após seleccionarmos a opção de “páginas em Portugal”, todos os resultados acabam por nos levar a empresas especializadas em eventos, festas de aniversários e outras “cenas” que parecem ir de encontro às nossas necessidades.
Contudo, mal consultamos as páginas ou anúncios destas empresas, facilmente nos apercebemos que as mesmas fazem festas…de crianças!
Com efeito, se há coisa que este país tem de sobra, são empresas, grupos, pessoas que se especializarem em fazer rir os mais novos e aturá-los enquanto os pais se deixam ficar na esplanada, bem longe, a saborear uma caipirinha nesses pequenos momentos de sossego…
Contudo, então e um adulto que queira uma festa para ele?
Ora, aí, basta acrescentar à nossa pesquisa no Google, a palavra “adulto”!
Contudo, e apesar de nessa nova pesquisa, começarem a aparecer bastantes resultados mais indicados à nossa idade, bem, o problema é que podemos dizer que vão um passinho mais além.
Aí, passamos dos brinquedos e pinturas faciais para…bem…outros “brinquedos” e outras “pinturas faciais”.
Algumas empresas também fornecem bolos (com diversas e obvias formas) e até teatro (chamemos-lhe assim), mas, e embora parecem ser festas animadas as que estas pessoas organizam, acabamos por ter sempre pequenos contratempos em conjugá-las com a presença dos pais e dos sogros…
Isto, para não falar da eventual presença do patrão que, apesar de ser bem capaz de achar piada à coisa, concerteza que a mulher dele não descansará enquanto não formos despedidos.
Assim, por muito triste que seja, uma pessoa com mais quinze anos não tem outra hipótese que não juntar os amigos num qualquer sítio para jantarem e, quiçá, dar uns passos de dança enquanto bebem uns copos.
Sim, continua a ser divertido, mas, vá, acaba por ser o que toda a gente faz.
Claro que, chegada a idade a partir da qual não podemos mais usar os balões e as pinturas faciais, e não podendo usar as festas de anos eróticas por causa do nosso ambiente, facilmente se entende que, a partir dessa idade, começamos a não nos conseguir divertir “como antigamente”…
Ora, começando assim a reprimir desde os quinze anos, não admira que a malta chegue aos quarenta e, tendo idade para ter juízo (e gosto), vá desesperadamente ao stand da Porsche comprar um suposto desportivo que tem o mesmo aspecto há quarenta anos.
Não acho mal que se vá comprar o carro (embora haja melhores opções), mas estando o raio dos Porsches tão ligados às crises de meia-idade, acabamos agora por perceber porquê: porque não existem outras hipóteses para os meninos continuarem meninos!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Férias Escolares

Gosto particularmente dos períodos de férias escolares.

Não necessariamente porque estou de férias, que não estou, mas porque me trazem uma certa paz e calma que não consigo gozar noutras alturas.

Também nestes períodos acabam por me vir à memória outros períodos da minha vida em que as responsabilidades não pesavam tanto e em que a malta pouco mais tinha para fazer, nestes períodos, que, bem, fazer absolutamente nenhum!!!

Mas não é por isso que eu gosto tanto dos períodos de férias escolares.

Eu gosto destes períodos porque, vá, na Páscoa, no Verão, no Natal, no Carnaval e mais uma série de épocas festivas, o mundo volta a fazer sentido.

Nestas alturas, uma pessoa sai de casa para ir trabalhar e consegue ir para o trabalho relaxado. Segue pelo caminho de sempre e dá-se ao luxo de contemplar a beleza estática do mundo que o rodeia.

Afinal de contas, não há trânsito!

Nestas alturas, não que me tenha dado ao trabalho de ir ler estudos ou fazer sondagens (afinal de contas, este sítio é um produto da minha capacidade inventiva), deve haver uma redução do número de carros na ordem dos 60%!!!

Claro que os autarcas, governos e idiotas afins acabam por nunca reparar nestas coisas na hora de taxar os automobilistas que entram nas cidades todos os dias, mas, se calhar, não é uma questão de opção (justificada) do condutor, mas uma necessidade de transporte dos seus rebentos para a escola mais próxima, e dos próprios estudantes que precisam de chegar às faculdades a tempo e horas de adormecer em frente ao professor de economia política.

E, embora sejam actos nobres destas pessoas (bem, talvez os universitários pudessem usar os transportes públicos. Afinal de contas, todos eles tem a mania que são comunas...) que nos empancam o trânsito e nos obrigam a passar horas e horas de stress por termos um sítio e uma hora para chegar, mas não termos a capacidade (motriz) para lhes passar por cima, a verdade é que acabam por nos estragar o dia mal ele começa!

Ah, mas nessa altura mágica a que todos chamamos "férias escolares" o mundo parece que volta a ter (algum) sentido.

Nessa altura, apesar de continuarmos a ter a maravilhosa obrigação de nos apresentarmos no local de trabalho, onde teremos que gramar com os mesmos de sempre por umas 8/22 horas, a verdade é que a viagem até lá já não é tão atribulada.

De repente, as estradas parecem feitas à medida das necessidades dos cidadãos da urbe, quase não existindo congestionamentos, filas ou buzinas.

Os transportes públicos, por sua vez, estão menos cheios e, à hora de ponta, até é possível gozarmos o (parco) conforto de um banco onde, pelo menos, nos conseguimos sentar.

Pode não ser muito, mas, na altura das férias escolares, a cidade e as suas infra-estruturas parece mesmo feita à medida!

Claro que, logo que acabe esse período dourado de férias, lá vão os paizinhos e as mãezinhas de volta levar os meninos à escola, enchendo as estradas de carros que, pelos vistos, se não fossem pelos pequenos rebentos, não necessitavam de sair da garagem se não ao fim-de-semana, e voltam as ruas a ficar entupidas porque, não se sabe bem porquê, os pais e as mães tem uma incapacidade natural de estacionar em outro sítio que não em segunda fila, em ruas bem apertadas, para deixar os pequeninos à frente da escola!

Também nessa altura, os adolescentes (cada vez mais a conduzir os chamados "mata-velhos" porque, para os pais, sempre são mais seguros que uma qualquer scooter) e os universitários (nos seus A3 cujo esforço financeiro para os ter foi exactamente igual a nada, e a parte de terem boas notas por causa de terem recebido o carro foi esquecida no meio de uma qualquer festa) voltam a encher as estradas e infra-estruturas rodoviárias. Isto sem falar do estacionamento atroz que se verifica junto aos estabelecimentos de ensino, onde, depois de se encontrarem os lugares cheios, ocupam-se os passeios, as passadeiras e, logo depois, os descampados e zonas de obras...

Nesta sequência de acontecimentos, o meu raciocínio (i)lógico leva-me a concluir que os grandes problemas rodoviários que se fazem sentir diariamente na metrópole não são criados pelo denominado "idiota que insiste em levar o carro para o trabalho quando existe uma rede de transportes públicos perfeitamente viável, económica e disponível", mas antes pelos paizinhos, mãezinhas e jovenzinhos que todos os dias insistem que o carro tem de ir para a segunda fila da rua do infantário, ou ficar estacionado ao lado da saída do metro na faculdade porque, se fossem de transportes públicos, o mundo poderia acabar!!!

Contudo, e por muito que chateie, eles também tem direito à vida e, vá, ao transporte individual.

Afinal de contas, embora ainda não o seja, acredito que o direito de possuir e utilizar desmesuradamente o veículo automóvel individual vai ficar consagrado na próxima revisão constitucional!

Assim, e uma vez que o país, em crise, precisa de soluções à medida das suas necessidades, torna-se imperativo arranjar uma solução que nos permita continuar a usufruir dos nossos belos veículos e permitir aos paizinhos e mãezinhas continuarem a levar os seus rebentos à escola.

Ora, há alguns anos atrás, um senhor chamado Oliveira Salazar teve uma boa ideia para fazer o país crescer, criar postos de trabalho e permitir sair da recessão económica.

Se calhar, devíamos seguir o exemplo e, porque não, construir uma rede rodoviária subterrânea só para pessoas que levam crianças à escola e insistem em entupir-nos a estradas???


domingo, 19 de dezembro de 2010

Faulheit

Sabe bem, nesta época, e de vez em quando, podermos dar-nos dar ao luxo de poder passar um dia todo na cama…

Afinal de contas, depois de semanas de trabalho intenso, de noites sem quase dormir e de não ter tempo para nada, bom é dedicar o nosso tempo livre a fazer absolutamente nada.

Poder acordar tarde, ficar na cama até um pouco mais tarde, tomar o pequeno-almoço na cama para, na cama, ler o jornal.

E, depois, voltamos a ficar sem fazer nada, simplesmente porque podemos.

É bom, recomenda-se e ajuda a levantar o espírito e, até, ajuda a sentirmo-nos seres superiores.

Afinal de contas, enquanto alguns se podem dar ao luxo de poder ficar na cama, a descansar, a ver o sol nascer e pôr-se sem termos saído do mesmo sítio, outros tem de ir lá para fora, para o frio, para a chuva, para os empurrões e para as filas dos centros comerciais, chatear-se, zangar-se e desenvolver sentimentos assassinos provocados pelo espírito consumista de ultima hora do natal!!!

Ah, hoje, sinto-me, verdadeiramente, um ser superior. Sinto-me alguém sem preocupações e sinto-me, verdadeiramente, preguiçoso.

E é tão bom!!!

domingo, 28 de novembro de 2010

O Animal Social

Há alguns anos atrás, o sucesso, ou melhor, o segredo para o sucesso era algo bastante diferente do que será nos dias de hoje.

Especialmente, se olharmos para pessoas com profissões ditas liberais como, por exemplo, os advogados, os consultores, os revisores oficiais de contas, as prostitutas, os escritores e os vendedores de automóveis, facilmente nos apercebemos que todos alcançavam o sucesso pelos seus próprios meios (recorrendo à sua arte de venda, às suas capacidades de aproveitamento de oportunidades e às suas alucinações decorrentes do consumo de substancias psicotrópicas).

Mas, independentemente do seu ofício e do meio usado para chegar ao topo, acabavam sempre por alcançar o sucesso por si mesmos.

Eram realizações individuais, eram os reis e senhores do seu ofício e apenas a eles se devia o sucesso.

Contudo, com o avançar dos tempos, e da civilização (espero) o conceito de sucesso individual acabou por se ir dissolvendo. Certamente, fruto do progresso e das necessidades da sociedade, deixou de se ter neste conceito de êxito individual uma visão romântica que coadunasse com a sociedade de hoje.

Fruto das exigências de mercado, um homem sozinho pouco ou nada va, nos dias de hoje, pois já não tem as capacidades de atender às novas e variadas necessidades do mundo moderno.

Que o digam os advogados, consultores e contabilistas que continuam a funcionar em prática individual que, para além de mal sobreviverem com as contas e as despesas de arcar com um escritório sozinhos, ainda lutam com a falta de especialização em determinadas novas áreas pelo que, na sua prática generalista simples, acabam por ficar em clara desvantagem quando comparados com alguns concorrentes so-called mais evoluídos.

De facto, nos dias de hoje, o Homem seguiu outro caminho que não o de trabalhar sozinho, mas, ao invés, especializar-se naquilo em que é, ou pensa que é, bom, reunindo-se com outros que são bons, ou pensam que são, noutra coisa.

Depois, como se isso não bastasse, juntou-se também a outros que são bons na mesma coisa que ele.

É uma prática bastante inteligente, na verdade. De facto, se primeiramente se juntou com os bons noutras coisas para, juntos, conseguirem ser bons em tudo, depois, juntou mais bons naquilo em que é bom para não ter de fazer o trabalho em que é bom todo sozinho!

E, assim, para além, e mais importante que ter surgido o conceito de “sociedade”, surgiu o conceito de “equipa”.

O Homem de hoje, bem ou mal, acaba por ser um teamplayer. Até pode não gostar de trabalhar em equipa, mas, para ganhar aquela vantagem competitiva, na verdade, não tem outra hipótese.

Mas, nada disso acaba por ser (muito) mau.

O trabalho em equipa, para além de nos permitir a especialização naquilo que somos bons, também acaba por nos poupar trabalho e, acima de tudo, abre-nos oportunidades de chegar a sítios onde, muito provavelmente, não chegaríamos sozinhos.

E, mais, o Homem moderno acaba por trabalhar sempre em equipa. É mais forte do que ele. Afinal de contas, somos animais sociais.

domingo, 14 de novembro de 2010

Saudade!

Diz a sabedoria popular, e por “sabedoria popular” entenda-se o “grupo de pessoas que gosta de mandar umas larachas, mas, como não estão bem dentro da coisa, a opinião deles tende a parecer extremamente estúpida, ignóbil e sem qualquer tipo de senso” que “as separações fazem bem às relações”!!!

Ao que parece, e segundo esses “sábios de café”, faz muito bem a um casal separar-se por uns tempos, de forma a fortalecer a relação.

Ao que parece, o período em que o casal não se encontra junto funciona como uma espécie de férias que um tem do outro e, assim, quando se voltaram a juntar, encontrar-se-ão revigorados e, portanto, a relação sairá fortalecida.

Ora bem, em relação a este tema, sobre o qual poderia dizer muito e, ao fim e ao cabo, acabaria por estar a dizer nada, só me apetece mesmo dizer algo do género “WTF are you talking about?”

Ora, se, por um lado, a ideia de ficarmos sozinhos por um certo período de tempo, sabendo que, após esse período, o casal estará junto de novo, pode aparentemente trazer uma expectativa de “férias”, na verdade, isso é a treta mais pegada que alguém já foi inventar.

Afinal de contas, não nos podemos esquecer que o ser humano, pelo menos o normal, é uma criatura de hábitos, de tradições e de rituais que gosta de seguir relativamente à risca.

Assim, expliquem-me lá porque raio é que a separação funciona como uma coisa boa.

Agora, mais do que nunca, não deixo de me lembrar dos meus avós, e quem diz os “meus avós” diz “os avós de toda a gente”.

Os meus avós viveram juntos durante, vá, a sua vida adulta toda. Com excepção das horas, e dos locais de trabalho (e mesmo assim, nem sempre), andavam sempre juntos.

Iam os dois para a vila, às compras. Iam os dois à missa, iam os dois a casa dos meus pais, assim como iam os dois passear.

Quem os conheceu, até pode dizer que, nos seus últimos anos, até estavam bastante insuportáveis um com o outro. Discutiam as suas coisas, diziam os seus insultos e faziam as suas gritarias. Contudo, continuavam juntos, e lá iam a todo o lado um com o outro, e ai daquele que quisesse ir a algum lado sem levar o outro.

Contudo, e porque na vida, tudo acaba por ter um fim, o meu avô acabou por ficar sozinho!

Nesta situação, se calhar, viria a “sabedoria popular” dizer que, “vá, eles até discutiam e tal. É melhor assim que, pelo menos, tem sossego”!

Bem, o avô ainda não conseguiu ter sossego, e isso nota-se perfeitamente.

Afinal de contas, a sua menina foi-se e já não volta, e não podemos dizer que esta “separação forçada” lhe tenha trazido descanso, ou sequer, a possibilidade de fazer outras coisas.

Claro que, nesta situação, pode vir a “sabedoria popular” dizer que “ah e tal, mas isso é uma separação permanente e não conta. Uma separação quando não é permanente faz muito bem”.

Pois bem, não faz!

Até se pode admitir que, a vida a dois é composta, também, por concessões que se vão fazendo a favor da relação. Numa relação, o homem concede em deixar o tampo da sanita em baixo, e, se ainda consome, aprende a deixar as Playboy’s e as Penthouse’s em sítio que não necessariamente a mesinha da sala.

A mulher, por sua vez, também concede que, se calhar, a televisão deixa de lhe pertencer, e bem, se calhar, vai deixar de ter tempo para poder arranjar e pintar as unhas.

Se calhar, são essas as particularidades da relação em que as pessoas, de vez em quando, gostariam de passar um dia sozinhas.

Contudo, mesmo assim, não tem a “sabedoria popular” razão alguma no que diz.

Afinal de contas, tudo bem que pode saber bem que, durante um dia, o homem possa deixar as revistas espalhadas pela sala, e, seguramente, que lhe saberá bem usar o WC e deixar o tampo para cima. Afinal de contas, ele há-de lá voltar.

Mas, será que isso faz bem à relação? Não! Afinal de contas, essas coisas podem saber bem durante um dia. Durante um dia, homem e mulher são os soberanos absolutos das suas vidas, e fazem o que querem.

Bem, mas, e depois desse dia. Será que é assim? Bem, será que continua a ter a sua piada na hora de dormir, e ter os pés frios. Então e ver uma coisa com piada na TV e ninguém estar lá para se rir com ele.

E ir ao cinema, e comprar apenas um bilhete para um? E as saudades? E o facto de não aguentar estar sem a cara-metade, mas ter de se aguentar à bronca?

É isto que faz bem, ou é só a “sabedoria” de quem, na verdade, não tem qualquer tipo de experiência na matéria?

É mais o que parece. Afinal de contas, o Homem, mais do que ser um animal social, é, e perdoem-me a ousadia, um animal monogâmico, e foi criado no sentido de existir aos pares.

Assim, o Homem que foi criado para viver aos pares, quando na ausência da sua cara-metade, acaba por não lhe fazer a experiência bem. Sente a falta da sua parceira, sente o peso de ser um à espera de voltar a ser dois, sente que essa liberdade que lhe podem ter apregoada mais não passa que gentis palavras de alguém que apenas não o quer ouvir queixar-se.

O Homem é um para ser dois, e é assim que é feliz. É assim que se define, e é assim que vive.

Daí que se tenha inventado a palavra “Saudade”!

domingo, 7 de novembro de 2010

Experiências

Há certas e determinadas experiências sociológicas que nunca devemos deixar de experimentar.

Não que alguma vez possamos entender certos contextos. Afinal de contas, não precisamos de conhecer/saber tudo, mas devemos, pelo menos, tentar perceber, nem que seja apenas para criticar.

Afinal de contas, nós podemos nem sequer compreender como é que um monte de cadeiras velhas presas umas às outras por cordas podem significar algo como “ a ordem no universo”, ou uma caixa de cartão amarrotada pode transmitir o vazio arquitectónico presente nas salas de jantar pós-modernas em Brasília, mas, se não vemos, não podemos criticar.

Às vezes, estas experiências, para além de serem uma óptima desculpa para usar óculos de massa e camisolas de gola alta pretas, podem, e devem, ser o inicio de uma experiência sociológica muito mais vasta.

Afinal de contas, toda a gente sabe que olhar para uma caixa de sapatos que, por ser uma caixa de sapatos, vale uma pipa de massa, abre sempre o apetite para mais. Tipo, para jantar.

Assim, usa-se essa experiência para procurar um restaurante, uma casa de repasto, uma taberna, um sítio onde se possa encher o bucho.

Ah, sim, encher o bucho. Isso, sim, pode tornar-se uma experiência que podemos nunca vir a esquecer.

O truque é simples: basta escolher um sítio com aspecto de ser um restaurante típico, daqueles que guardam nas suas paredes, as mazelas e os sinais dos milhares que lá passaram ao longo das várias décadas de funcionamento.

Se o dono do restaurante for um simpático senhor bem vermelhinho, e com um leve hálito de aguardardente, tanto melhor. É sinal que vão ter histórias durante a noite toda, e, sobretudo, vão ter uma pequena aventura para contar aos amigos, filhos e netos ao longo dos anos. Ou, então, vamos manter isto só para nós!

Ora, de forma a melhorar a experiência, não há nada que anunciar ao senhor bem bebido a nossa profissão. Se for algo que poucos gostam, tanto melhor (em regra, dizer que se é advogado does the trick), pois havemos de ter mais umas histórias, aventuras, relatos de prisões por roubar bananas que nos irão entreter ao longo da noite.

Com um bocadinho de sorte, ainda se é convidado para sair da mesa e se sentar ao sofá com ele, enquanto nos diz que é casado há 65 anos e, já agora, “vocês fazem sexo?”.

Com este tratamento, certamente ainda se ganha uma rosa, ou duas, ao final do jantar.

Depois, é hora de ir beber um copo e ouvir boa música!
Não se deve criticar o que não se conhece, mas deve conhecer-se o máximo para que sejam abertas outras portas.




domingo, 10 de outubro de 2010

Crónica de um fim-de-semana

Esta é a história do fim-de-semana de dois amigos meus.

Na verdade, nem são bem meus amigos. Ele é o primo de um tio de um cunhado de uma amiga de um sujeito que tem um cliente cujo advogado é irmão da secretária de um atelier cuja dona é casada com o dono da bomba de gasolina onde costumo abastecer.

De facto, nem os conheço, e de forma alguma me iria pôr aqui a falar de algo que pudesse consistir na minha experiência pessoal. Não! Esta é a história dessas duas pessoas…

Ora bem, a Urraca e o Fernando, casal que já vive muito feliz, desde há largos meses, no início do seu pacato namoro, gostavam de trocar presentes nas alturas especiais, aliás, prática que ainda hoje subsiste e eles gostam assim! (Manias!)

Ora, numa dessas alturas festivas, de já há muito tempo, a querida e adorável Urraca ofereceu ao seu querido Fernando, uma dessas experiências d’”A Vida é Bela”.

Oh, o Fernando adorou! Afinal, era uma prenda cheia de significado: era a experiência “In Love”, que continha “80 experiências românticas para 1 ou 2 pessoas”. (1 ou duas??????).

Ora, depressa o Fernando se pôs à procura no belo catálogo de experiências, de uma experiência que lhe agradasse a si, e também à sua amada. Convinha era ser num sítio simpático, não muito longe de Lisboa, para poderem passear um bocadinho e não ser apenas um dia ao volante, e também precisa de ser uma experiência enriquecedora e, sobretudo, romântica.

Ora, depois da consulta, lá encontraram um sítio assim.

Na verdade, a descrição mesmo parecia o local ideal para cumprir os desejos destes nossos amigos:

De facto, segundo a descrição do local (cujo nome não será divulgado, uma vez que isso seria uma atitude de muito mau gosto, e, portanto, não o farei, embora os curiosos possam, para satisfazer a sua curiosidade, clicar aqui) “conjuga tradição com simplicidade e modernidade, num espaço rústico, confortável e tranquilo. Numa área natural de 60 hectares, integra uma piscina biológica, uma das principais atracções da casa. Situada em Grandola, rodeada pelas mais belas praias do nosso país, esta herdade é o refúgio ideal para quem deseja respirar a verdadeira alma alentejana”.

Ora, esta descrição acaba por quase convencer qualquer um. Ainda por cima, o cheque presente dá acesso a “uma noite de alojamento com pequeno-almoço para duas pessoas”. Sounds Great!!!

Uma visitinha ao site, e acabam os nossos amigos por ficar convencidos. Afinal de contas, as imagens que de lá se colhem são fantásticas. Uma casa grande, um parque de estacionamento bastante razoável, e muitos espaços verdes. Parecia perfeito. Tanto que, tentando reservar a sua estadia já em Fevereiro, Urraca e Fernando apenas conseguiram uma reserva para 9 de Outubro. Bem, ainda faltava muito tempo, mas eles sabiam que o seu namoro seria duradouro, e não tiveram medo de arriscar. Afinal de contas, o que lhe fora prometido iria valer a pena!

Ora, no grande dia, Fernando e Urraca apressaram-se a sair de casa. Apesar da chuva, eles não estavam preocupados. Afinal de contas, era o tal sítio que os esperava, e eles estavam ansiosos pela sua “In Love Experience”. Assim, partiram em direcção a Alcácer do Sal, descontraídos, pois até tinham avisado que não chegariam cedo, no seu clássico Mercedes, para passearem um bocadinho, e aproveitarem para namorar pelo caminho.

Até aí, tudo perfeito, até já nem chovia tanto assim, e os apaixonados continuam felizes em direcção à felicidade.

Pararam em Alcácer do Sal. Terra bonita, descansada, e solarenga. Eles gostam de terras solarengas, e foram almoçar.

Ah, o restaurante onde foram muito bem recebidos, tinha iguarias de comer e chorar por mais. Apesar de, mais uma vez, não me encontrar aqui a fazer publicidade, o restaurante, cujo nome também não vou divulgar, era absolutamente óptimo, com entradas variadas e deliciosas e, nem o vinha do casa (o vinho da casa!!!) conseguia desiludir. Os meninos ficaram fãs. Até na hora de pagar a conta, porque não doeu quase nada.

Ora, de barriga cheia, são horas de se fazerem à estrada, para uma pequena terra perto da Comporta. Ah, as enormes rectas do Alentejo permitiram a Fernando puxar pelos cavalos do seu Mercedes, enquanto o tecto de abrir (lá está) aberto, permitia a Urraca gozar os últimos raios de sol, antes da chuva. Até ali, tudo perfeito.

Chegados a Muda, saíram da estada principal. Já estavam perto. Tão perto quanto 4 km de estradão de terra esburacada pelas chuvas e pela falta de manutenção permitiam.

Aí, quem se divertiu foi Urraca, ao ver Fernando a "ziguezaguiar" a estrada procurando não acertar nos buracos todos com o seu velhinho, mas capaz, automóvel. Ah, mas iria valer a pena!

Ora, depois dos tais quatro quilómetros, os nossos amigos chegaram. De facto, desde a entrada até ao prometido parque de estacionamento, estava a ser tudo o que fora prometido. Desde o parque grande, a floresta, a casa das fotos, estava tudo no sítio, e tudo com óptimo aspecto. Estavam ali.

Curiosamente, no preciso momento em que Fernando está a sair do carro, o seu telemóvel toca. Era o senhor José Bastos, concerteza preocupado por talvez se terem perdido, e nada a ver com o facto de estar com pressa para sair.

Mas, ora que já cá estávamos, entregávamos já o “voucherzito” pois, afinal “já fica feito, não é?”…

A Urraca e o Fernando também não se importaram. Afinal de contas, queriam também despachar as formalidades e começar a gozar do espaço que tinha sido prometido.

Afinal, o espaço, era bem engraçada. A casa grande, com aspecto minimalista, mas de bom gosto, com pequenos sofás do lado de fora transmitiam um ar bastante acolhedor.

Também a piscina, que na verdade é um grande buraco com água lá dentro tinha ar rusticamente encantador. Lá ao fundo, desactivado, eventualmente por causa da metereologia, um barzito, bem junto à “piscina biológica”. Parecia um local agradável.

Então, quando iam buscar as malas para descarregar no quarto, a senhora responsável (bruxa) avisa-os que era melhor levar o carro (mas, então e a casa com aspecto agradável???), porque ainda iam ficar um bocadinho afastados da casa principal. Bem, se afastados, “tanto melhor”, ainda pensam estes heróis acidentais. Sempre dá para ter “sossego”…

E lá foram eles atrás do carro da senhora que, antes, ainda os avisa que “nós não servimos jantares. A vila é para ali!”. Se calhar, podia ser um bocadinho mais simpática. Não sei, eventualmente, até podia aconselhar um restaurante simpático para ali na vila, mas devo ser eu a ser esquisito…

E, dali a um bocadinho, chegaram aos…bungalows…

Um corredor de cinco quartos geminados, absolutamente no meio de nada, todos juntos, com um pequeno alpendre. Mesmo assim, parecia simpático, até porque, mesmo em frente ao quarto, entre duas sólidas árvores, estava uma bela rede para casal onde Fernando e Urraca já se imaginavam a aproveitar o seu tempo de ócio. Mas vamos lá ver o quarto…minúsculo.

Todo em madeira, sem espaço para se mexerem, e com duas camas individuais, também de madeira que, devido ao seu formato, não permitiam o habitual exercício de se juntarem. Pois é, a brincadeira ia ser difícil. Quanto à casa de banho, minúscula. Tão minúscula, tão minúscula que o chuveiro não permitia que uma pessoa mais anafada (não que seja este o caso pois Urraca e Fernando são duas pessoas bastante atléticas e elegantes) não conseguiria mexer.

“O quarto, a casa de banho. Tem ar condicionado, tv e um frigorifico”, disse a senhora um pouco chateada da vida, e foi-se embora.

Era verdade, e, apesar de minúsculas, as divisões estavam limpas. De facto, estavam tão limpas, tão limpas, tão limpas…que a casa de banho nem um sabão azul e branco tinha.

De facto, não tinha nada. Havia, simplesmente, duas toalhas e… dois rolos de papel higiénico. Sabem que as pessoas no campo se safam com pouco…

Ora, perante tal situação, saem do quarto. Aí, Fernando decide experimentar a rede. Mal se sentou…a corda cedeu e estatelou-se no chão, ainda lhe batendo uma trave na cabeça…

“Ora bolas”, pensa ele. Urraca, por sua vez, demorou meia-hora a conter o riso. Admitamos, foi engraçado e Fernando não lhe levou a mal que tivesse tirado fotos e ligado para outras pessoas a contar do sucedido enquanto ele tentava levantar-se do chão…

O que os dois levaram a mal, foi o facto de não terem o mínimo dos mínimos para a sua higiene. Parvos, já deviam saber que essas coisas se levam de casa…

E pronto, pegaram no carro, foram pelo belo estradão de terra, que estava cada vez pior, e foram em busca de um qualquer supermercado para adquirirem as coisas básicas para a sua higiene pessoal.

Lá encontraram um. Foi o que lhes valeu.

Pelo sim, pelo não, também compraram umas revistas. Afinal, uma vez que, quando Fernando perguntou a Urraca que cama é que preferia, alguém respondeu do quarto ao lado, os dois não ficaram muito convencidos com a capacidade de insonorização da sua “cabana”. Lá teriam que ficar apenas com o amor, e com as revistas…

E lá voltaram.

Ao chegarem, lá desligaram o mínimo frigorífico que, apesar de arrefecer, a sua função era, sobretudo, fazer o máximo de barulho alguma vez feito por um mecanismo inventado pelo homem. Lá ligaram o ar condicionado, que não funcionava…

Bem, neste ambiente, o melhor era mesmo ligar a televisão… que apenas se mantinha ligada por cinco minutos (cronometrados no próprio ecrã, e que tinha o vasto número de …0 canais(exacto: zero canais).

Perante esta desgraça, só faltava mesmo chegarem os “vizinhos”, e aí, reparam que se ouvia mesmo tudo! Talvez por isso, nenhum dos hospedes das “cabanas” terá ido para além de apenas uma conversa. A falta de insonorização tem destas coisas…

Pior, pior, seria apenas o facto de terem, alem de dormir mal, acordado porque…a cama cedeu!!! Ah pois, a cama cedeu, e não foi bonito. Por outro lado, temos de admitir que poderá ser propositado. Afinal de contas, é o despertador mais eficaz do mundo!

Lá saem eles da cama (que remédio) e toca a fazer a higiene pessoal (até porque, graças ao Intermarché de S. André, já tinham com que se lavar).

Saem da cabana e, todos os outros hospedes levam a mesma cara. Não houve um único que se tenha safado, assim como nenhum conseguiu dormir, ou sequer havia alguém encantado com tal sítio de amores…

Ah, o pequeno-almoço certamente os ia animar. Num alpendre, onde ainda se apanhava uma boa dose de chuva, porque a casa principal era mesmo do senhor Bastos e dos seus canideos e não se ia levar malta estranha lá para dentro, mesmo que pagassem (alguns quartos igualmente maus custavam… bem… vão ao site…).

Assim, duas bancadas que não permitiam albergar toda a gente e…cheias de vespas… ah pois, vespas, montes delas a voar no meio deles… se calhar, o facto da caseira ter posto comida para elas (!) ajudou…

Ora, não seria nada demais, pois não? Afinal, o que interessa que estejam vespas à volta dos hospedes enquanto tentam comer? Bah… mariquinhas da cidade, e isso da alergia de picadas de insectos é outra mariquice…

Claro que, quanto ao pequeno-almoço em si, bem, o pão de ontem, com uma fatia de queijo e outra de fiambre, acompanhados de sumo de laranja (de pacote) estavam a saber menos mal…até ao momento em que as vespas caem dentro do café com leite vindas directamente do recipiente do açucar…

Hora em que Fernando e Urraca entregaram as chaves e se puseram a andar bem depressa, nem ligando aos buracos da estrada de terra. Queriam era estar longe.

De facto, só pararam em Tróia.

Ah, aí sim, divertiram-se, passearam, andaram de barco. Ufa, com excepção do almocinho do dia anterior, finalmente, momentos perfeitos.

Quer dizer, na verdade, mal estacionaram, o belo e clássico Mercedes fez das suas, recusando-se a fechar o belo do tecto eléctrico…num dia chuvoso.

Nada que os tivesse atrapalhado. Deixaram-no assim, para aprender.

E, de facto, o coitado do carro aprendeu. Enquanto foram eles conhecer Tróia, ao que parece, a que não é verdadeira, nas palavras de alguns, choveu. Bem, funcionou porque logo que chegaram o tecto já funcionava às mil maravilhas.

Ainda bem. Afinal de contas, já era hora de ir para o barco, e assim foram.

Bem giro. O carro lá em baixo, eles a namorarem lá em cima, enquanto sentiam a brisa. Sim, bons momentos, momentos felizes. Quer dizer, não que não se tenham divertido antes, mas isso porque Fernando e Urraca são seres que conseguem fazer a festa em qualquer lado, porque, pelas circunstâncias, bem… vamos continuar a contar a história.

Chegados a Setúbal, porque não um choquinho frito?


Ah, óptima ideia. De facto, Urraca até conhecia um restaurantezinho bastante simpático.

Lá foram eles, pediram, receberam e, mesmo quando Fernando se estava a regozijar com o belo do choco frito acompanhado de um arrozinho com feijões, a velha da mesa atrás decide ter um AVC!

Pois é, lá tem Fernando de se levantar, tentar ajudar e, depois da velha estar quase morta, afasta-se. Toda a gente à volta da velha, a filha irritante dela a gritar, mas, ajudar, não se via muito. Contudo, todos eles tinham algo a tecer acerca do funcionamento dos serviços de emergência. (quer dizer, todos, menos a dona do restaurante que estava mais preocupada em entregar a conta antes de chegar a ambulância… e de Fernando que, na verdade, estava com tanta fome e não podia voltar para perto do seu prato porque estavam todos à volta da velha com dentes postiços e ar cadavérico…)

Depois disso, vieram embora. Seria melhor vir para casa. E assim fizeram.

Bem, Fernando e Urraca não tiveram, eles próprios admitem, o melhor fim-de-semana fora de todos os tempos. Mas, uma coisa é certa: outro casal (qualquer um) teria vindo de lá divorciado.

A verdade é que, eles se conseguem divertir com tudo, até com as desgraças que lhes acontecem, e, na verdade, nada disso acabou por lhes estragar o fim-de-semana.

Acima de tudo, terá sido uma prova de força, e eles passaram impecavelmente o teste.

Não obstante, decerto se ficaram a interrogar acerca do facto de Deus ter um sentido de humor um bocado macabro.

É que, afinal de contas, a velhota bem podia ter esperado que as outras pessoas almoçassem…










































































































































quinta-feira, 7 de outubro de 2010

need for speed!

Ah, como eu gosto da chuva, a cair, quando estamos no quentinho da cama, e não temos preocupações para além de dormir mais um pouco.


Contudo, muda de figura quando a chuva se torna a nossa companheira, a caminho do trabalho.


Ah, sim. Aí, a chuva faz-nos sentir vivos, se bem que possa não ser muito tempo.


Afinal de contas, o homem, e a mulher, assim como o idoso e o condutor de transportes públicos, todos gostam de viver a vida naquele linha divisória, e sentir o perigo perto para, depois, soltar um "Simmmm!!! CONSEGUI!!! SOU O(A) MELHOR CONDUTOR DO MUNDO!!!!".

É claro que, uma vez que somos portugueses, e, por definição, pelintras, não temos tantas possibilidades de viver perigosamente como fazem, vá, aqueles gajos das Arábias.

Sim, eles divertem-se. Eles fecham auto-estradas para fazer drag races com os seus SLR's, Lambos, Enzos e companhia.

Eles têm Defenders preparados para subir dunas a 160 km/h e, depois, fazer piruetas ao cair.

Ah, sim, eles divertem-se e vivem perto do perigo! Sacanas.


Ora, nós, portugueses, pelintras que somos, não temos acesso a esses meios fantásticos para roçar a loucura.


Em vez disso, temos os nossos Clios com 15 anos, os quais consideramos como "The Ultimate Driving Machine", mas só se for o 1.2, porque o 1.0 já não era tão Sporty! E os nossos 206, artilhados com todos os neóns e escapes que o ordenado mínimo pode comprar.


Aqueles mais abonados, sempre se podem dar ao luxo de fazer pirraça aos outros, e passearem-se no interior dos seus Saxo Cup, lá do alto dos seus motores 1.6 (se bem que o rendimento mínimo de reinserção já se torna parco para satisfazer a necessidade de gasolina).


Ah, mas isso, somos nós, com as nossas máquinas desportivas de sonho (sonhos pequeninos e limitados, é certo, mas de sonho!).


Ora, esses sacanas desses árabes, com as suas máquinas e auto-estradas fechadas de propósito, e dunas infindáveis podem divertir-se à vontade. Afinal de contas, nós, com recursos bastante mais limitados, também o sabemos fazer.


Podemos não ter troços de auto-estradas fechados, mas temos auto-estradas, e sabemos usá-las.


Afinal de contas, o Tuga é um perito do volante, um autêntico Schumacher, mas na versão do desenrasca.


É assim que nós gostamos e, na verdade, assim é que dá mais pica.


Ora, se nós quiséssemos andar a correr em condições mínimas de segurança, ora, tínhamos ido para uma pista, mas, qual é a piada? Os obstáculos não se movem…


Não, nós gostamos é da estrada, e é ela que nos dá pica. Fazer ultrapassagens em cima do risco, com um camião a vir de frente e, eventualmente, uma velhota num “mata-velhos” a sair para cima de nós.


Isso sim, dá pica. Acelerar no nosso Clio 1.2, ultrapassar a velha quando ela se começa a chegar à esquerda, com o risco contínuo a servir de fio condutor, e os faróis do camião que vem de frente a darem-nos nos olhos. Isso, sim! Isso é pica! Isso é pilotagem! E é nisso que nós somos bons.


É por isso que nós tanto gostamos de chuva! Afinal de contas, a chuva torna a estrada mais escorregadia, ideal para fazer a “limpeza étnica” dos maus condutores!


Por isso, assim que começa a chover, e o solo começa a ficar um bocadinho escorregadio, o bom condutor tuga esboça um sorriso, os seus olhos brilham, e o Hulk que há dentro de todos nós fica verde!


É hora do Tuga se fazer à estrada, exactamente como se estivesse piso seco, ou, melhor, mais depressa e bem do que se o piso estivesse seco.


Afinal de contas, é aí que se mostram os verdadeiros condutores, no meio do trânsito, sempre a acelerar, no zigue-zague, nos 170, na maior.


É assim que o Tuga consegue a sua adrenalina.


Alguns, mais do que adrenalina, também conseguiram umas cerimónias fúnebres muito bonitas e cheias de flores, mas lá que foram com a pica todo, foram (quer dizer, de vez em quando, há partes que ficam entranhadas nos pára-choques, mas quem liga a isso?).

domingo, 3 de outubro de 2010

A Chuva!

Ah, como é chato acordar tarde, num domingo, e constatar que o tempo está tudo menos convidativo…



Quer dizer, não chateia. Até sabe bem constatar que não há nada para fazer lá fora porque nos poderá trazer um certo desconforto (chuva e frio), e que, tranquilamente, podemos gozar os pequenos prazeres de dormir até mais tarde, no quentinho conforto da nossa cama, sem remorsos de não estarmos noutro lugar.


Afinal de contas, não é que estejamos a negligentemente a perder um dia de praia, não é?


Neste sentido, nem posso dizer que não goste do mau tempo. Afinal de contas, o mau tempo permite-nos o repouso e o descanso sem remorsos de não estarmos a fazer actividades radicais susceptíveis de nos quebrarem as costas porque temos de mostrar ao mundo que somos pessoas aventureiras e activas.


Pá, eu já vi o sujeito aventureiro e activo no Discovery Channel e, pá, como eu que posso dizer isto de uma forma suave?


Ah, já sei: EU NÃO TENHO O MÍNIMO INTERESSE DE CONHECER OS CANTOS MAIS SOMBRIOS DO MEIO DA PATAGÓNIA!!!!


Assim, deixem-me lá ficar no meu conforto a gozar a vida, bem, como realmente gostamos de a gozar.


Ora, por isso, o mau tempo não me chateia por aí além. De facto, em algumas situações, o mesmo é muito bem aparecido.


Aquilo que realmente chateia, é o facto de ser domingo!!!


Ora, chuva e frio numa segunda-feira, continua a ser chato, mas, ao domingo, é demais!


Afinal de contas, na segunda-feira, as pessoas andam por aí cabisbaixas, deprimidas e a arrastar-se pelas paredes. Afinal de contas, é segunda-feira, esse dia malvado da semana em que iniciamos um novo período de trabalho, que temos de nos mexer, quando já não há futebol, formula um nem, vá convenhamos, quantas noites de copos é que já tiveram numa segunda-feira que não seja véspera de feriado?


Ora, por isso tudo, e mais qualquer coisa, a chuva até pode não ser bem-vinda à segunda-feira, mas, desgraça por desgraça, é indiferente.


Contudo, num domingo, na ultima réstia de esperança para o descanso, para o lazer e para o divertimento antes de começar a tortura laboral por mais cinco dias (sim, eu sei que na terça voltamos a casa porque é feriado, mas isto é suposto tornar-se um post intemporal…), a vinda antecipada da chuva e do frio, acabam por nos matar um bocadinho a alma.


"Oh desgraça! Oh vida malvada! Oh triste existência que me trouxeste chuva no meu último dia de liberdade antes de ter de ir trabalhar para aquelas pessoas feias, porcas e más" (na verdade, os patrões também sentem os mesmo, mas atiram as culpas para cima do governo do fisco e sucedâneos vários)!


A vida assim. A chuva aparece, chateia, e vai-se embora.


Provavelmente, amanhã, até fará sol, mas disso já não nos vamos lembrar porque já estaremos em torno do nosso estado depressivo porque, vá, é segunda-feira.


Agora, lá que sabe bem estar no quentinho de casa com a chuva a bater nos vidros das janelas, deprimentemente, isso sabe!


Boa semana de trabalho.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ah, os transportes públicos!


Como gosto deles!


Acordar, correr, entrar num metro que só não vai mais apinhado porque, vá, sejamos sinceros, já não cabe mais ninguém.


E é, nestas viagens, que aprendemos a conhecer o mundo!


Está bem, não conhecemos o mundo inteiro, mas, mesmo sem querer, conhecemos o mundo da D. Alzira, que tem um cunhado que é um traste e "se antigamente, ainda trazia para casa um saquinho de batatas, agora, só vai a casa para ir buscar dinheiro à carteira da mulher para estoirar em copos e cigarros"!


Sim, é um mundo pequenino este que acabamos por conhecer, mas, sobretudo para aqueles que se elevam no alto dos seus cursos superiores, ainda nos mostra que não é no estudo e no trabalho intelectual que realmente se capta o "bom rendimento".


Que o diga o marido da senhora Maria. Afinal de contas, apesar de estar desempregado, porque assim acordou com o patrão, mas continua a trabalhar para ele (afinal de contas, sempre se acumula o ordenado recebido a "negro" com o subsídio de desemprego. "Afinal de contas, o subsídio de desemprego é um direito para todos"!), e ainda vai fazendo uns biscates.


Segundo a senhora Maria, "toda a gente sabe que funciona assim e, só quem é estúpido, é que não faz uns biscates não declarados enquanto recebe o subsídio e o ordenado".


Muita coisa se aprende no metro, meus amigos, e são coisas úteis, ensinamentos para a vida, coisas que nunca iríamos aprender na escola!


Mas, os transportes públicos são muito mais que ensinamentos para o mercado de trabalho.


Na verdade, são um encontro de culturas, de informações, de vivências, assim como um óptimo sucedâneo das páginas amarelas.


Homem sozinho, não precisa de ter muito esforço para arranjar companhia.


Na verdade, basta-lhe andar uns quinze minutos de metro que, certamente, ouvirá o António e o Joaquim a comentarem as capacidades de ginástica artística da Teresinha que, “além de ser um pedacinho de céu, nunca deixa um homem nas mãos”…


Mas não só disto são feitas as lições nos transportes públicos.
De linha para linha, de carreira para carreira, vai-se mudando a conversa, e vão-se mudando as lições.
Umas boas, outras muito boas, mas, o cidadão com bons ouvidos só tem de seguir as receitas com afinco, e não terá mais problemas na vida.
Afinal de contas, aluno aplicado, concerteza conseguirá sacar uns cobres do patrão e da Segurança Social para poder investir na bolsa, também com os conselhos do senhor Jaime, barbeiro, e pode ser que até ganhe uns cobres jeitosos, que não serão declarados, como bem professa o senhor Aníbal, e compre um carrito para dar umas voltas com a Teresinha.
Poderíamos aprender isto na Faculdade, meus caros? Não. Afinal de contas, estes são os ensinamentos da escola da vida, os ensinamentos que nenhum ensino particular alguma vez nos pode prestar.
São os ensinamentos do bom Chico-Esperto e, concerteza, serão os ensinamentos que nos levarão mais longe.

Boa noite, e boa viagem!

segunda-feira, 22 de março de 2010

a caminhada da vida

às vezes, sinto-me como no início  de uma caminhada.
uma caminhada para local incerto e sem saber o que realemnte lá vou encontrar.
suponho que é isso que acontece com todos nós. mais uma vez, caro leitor, não estou a ser original, nem a inventar a pólvora que talvez estivessem à espera.
simplesmente, estou para qui a falar da caminhada que é a vida e da nossa pressa de chegar a algum lado.
saímos todos os dias de casa com pressa, para não chegar tarde, e a correr porque temos que estar num sítio qualquer.
depois, saímos com pressa porque temos que chegar ao resturante antes que encha e já não haja lugar para nos sentarmos.
ao fim do dia, corremos para ainda apanhar o supermercado aberto.
em casa, corremos para fazer tudo o que temos para fazer antes de nos deitarmos para o nosso descanso, antes de mais um dia de correria.
estamos sempre a correr.
e, no entanto, aquilo que mais se ouve é que "a vida é uma caminhada".
não dizem que é uma correria. dizem que é uma caminhada.
desde o momentop em que nascemos, aquilo que vamos fazendo é correr para a ossa morte.
e, no entanto, continuamos a correr.
bem, se calhar, lá porque todos o fazem, não quer dizer que estejamos correctos.
na verdade, somos um grande AVC à espera de acontecer.
e parece que nos esquecemos das coisas importantes.
afinal de contas, somos capazes de viajar durante horas e horas para chegar a um sítio qualquer, ficar lá menos tempo do qe levamos a chegar, e voltamos.
e, no fundo, ninguém parou para apreciar a paisagem no caminho.
isso é que não está certo. afinal de contas, numa caminhada, como a vida, só precisamos realmente de duas coisas: apreciar a paisagem e ter com quem a contemplar.
assim, o melhpor que fazemos é parar um bocadinho, estar no nosso cantinho e caminhar juntos.
aí, devemos parar e cheirar as rosas.
desta forma, a vida não é uma caminhada para a morte, mas sim uma caminhada acompanhada onde paramos e vemos a nossa paisagem.
não se concentrem no destino. concentrem-se na viagem.